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    terça-feira, 9 de maio de 2017

    Juíza que proibiu manifestações em Curitiba atacou Lula em redes sociais


    A juíza que proibiu manifestações em Curitiba por causa do depoimento de Lula na Justiça federal, Diele Denardin Zydek, é uma militante anti PT que usa o Facebook para atacar o ex-presidente e a ex-presidente Dilma Rousseff. Ela também defende que menores de 18 anos sejam presos como adultos e que a população tenha acesso a armas.
    Zydek se manifestou favorável à condução coercitiva de Lula em março do ano passado e elogiou o juiz Sergio Moro, chamado por ela de "ídolo" e "inspiração". Uma série de entidades criticaram a condução coercitiva porque Lula não havia se recusado a comparecer a interrogatórios da Operação Lava Jato.
    No dia da condução coercitiva, ocorrida em 4 de março do ano passado, a juíza publicou o seguinte comentário no Facebook: "E hoje a casa caiu para Lula", seguido de cinco símbolos de mãos aplaudindo. A publicação foi curtida por 121 pessoas.
    Quando a então presidente nomeou Lula para a chefia da Casa Civil, a juíza atacou a medida: "Amigos, essa situação é vergonhosa, mas gostaria de esclarecer que não significa que ele ficará impune, a investigação segue, possibilidade de prisão conforme as investigações avancem sob a direção do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. É triste ver esse tipo de manobra criminosa".
    Posteriormente, o ministro do Supremo Gilmar Mendes suspendeu a nomeação de Lula com o argumento de que a ida dele para o ministério era uma tentativa de frustrar as investigações contra ele da Lava Jato.
    Quando o juiz Sergio Moro tornou pública uma gravação em que Lula conversava com Dilma sobre a sua nomeação para a Casa Civil, Zydek festejou o que considerava ser um temor do ex-presidente: "Lula assustado com a República de Curitiba! Quem bom!". Junto à frase havia a hashtag "Curitiba, capital do Brasil". Dias depois, o ministro Teori Zavascki (1948-2017) considerou ilegal a decisão de Moro de divulgar a gravação, porque a ordem judicial já havia se encerrado, e anulou a interceptação telefônica.
    A juíza também colocou na rede um pedido de desculpas junto com uma foto da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ré no Supremo Tribunal Federal sob suspeita de ter recebido doação ilegal no valor de R$ 1 milhão na campanha de 2010: "Brasil, os paranaenses honestos e sérios pedem desculpas".
    O perfil da juíza, que estava na rede até esta segunda (8), foi apagado nesta terça (9).
    A Lei Orgânica da Magistratura, o Código de Ética da Magistratura, o Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal proíbem juízes de julgar quando eles já se manifestaram sobre uma questão, segundo o advogado Paulo Rangel do Nascimento, que já defendeu uma série de magistrados em processos em São Paulo.
    "A juíza deveria se declarar impedida de julgar porque já se manifestou sobre Lula e o PT", afirma Rangel do Nascimento. Para ele, "qualquer manifestação sobre o tema, mesmo que feita anos antes do julgamento, pode ser considerada prejulgamento".
    Na visão do advogado, o caso da juíza de Curitiba é mais grave do que o do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, que mandou soltar o empresário Eike Batista, defendido em outras ações pelo escritório de Sergio Bermudes, que tem como sócia a mulher do ministro. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a anulação da decisão sobre Eike.
    Procurada pela reportagem, por meio da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Paraná, a juíza não quis se manifestar.

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