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    terça-feira, 17 de outubro de 2017

    Amil volta a ofertar plano individual após 4 anos fora desse mercado


    Maior operadora de planos de saúde do Brasil, a Amil vai voltar ao mercado de planos individuais depois de ter deixado de ofertar esse produto há cerca de quatro anos. Na contramão da maioria do mercado, que restringe essa oferta, a empresa espera ter ao menos 15 mil vidas na nova carteira até o final do ano, com preços que variam de R$ 126 a mais de R$ 1,1 mil.
    “Sempre houve por parte da operadora um interesse em voltar a oferecer esse produto, que representa uma fatia importante do mercado”, comentou o CEO da Amil, Sergio Ricardo Santos, em entrevista ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado). De acordo com Santos, a companhia estudou formas de voltar ao mercado de planos individuais nos últimos anos e se concentrou em iniciativas de redução de custos.
    Em 2013, a Amil se juntou a outras grandes do setor que vinham abandonando os planos individuais. As maiores seguradoras do ramo, como Porto Seguro, Bradesco Saúde e SulAmérica, já haviam tomado a mesma decisão. A explicação: o reajuste nos planos individuais é regulado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e os custos estavam em alta.
    O novo produto será ofertado pela Amil com a marca Next Access, terá abrangência municipal e começa nas cidades de São Paulo e Guarulhos. Os valores começam a partir de R$ 126,21, preço por beneficiário em produto familiar com coparticipação. O preço mais alto, para pessoas na faixa de idade acima de 59 anos sem coparticipação, pode chegar a mais de R$ 1,1 mil.
    Uma das estratégias que possibilitou a retomada dos planos individuais, diz Santos, foi a mudança no modelo de remuneração dos hospitais. No formato tradicional, chamado de “fee for service“, operadoras pagam os hospitais por cada serviço realizado ao longo do tratamento de um paciente. Esse modelo é visto como um causador de desperdício, já que incentiva a realização de procedimentos desnecessários. Novos modelos, no entanto, buscam incluir outras variáveis na conta, como a eficácia do tratamento, por exemplo.
    A maioria dos hospitais no novo plano individual da companhia é da rede própria da Amil, mas Santos afirma que isso não é uma regra. “Hospitais que aceitarem o desafio de sair do ‘fee for service‘ passam a ser candidatos a parceiros no lançamento do produto”, diz o executivo.
    A Amil tem hoje mais de 6 milhões de beneficiários de planos médicos e odontológicos no Brasil e, segundo Santos, já há hospitais em conversas com a companhia e dispostos a evoluir no debate sobre os modelos de remuneração.
    O CEO da Amil afirma que a operadora já tem acordos de novos modelos de remuneração com 20 hospitais e espera chegar a uma fatia de 23% de seu custo médico fora do “fee for service“.
    Essa questão da forma de pagamento dos hospitais deve ser determinante para uma decisão da Amil de expandir a oferta de planos individuais para outras regiões do Brasil.
    Além da remuneração aos hospitais, Santos afirma que contribuiu para a viabilização dos planos individuais um modelo de cuidados preventivos que passou a ser trabalhado pela Amil nos últimos anos. Reduções de desperdícios e um controle mais intenso de fraudes também foram importantes para reduzir os custos, diz o executivo.

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