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    sábado, 7 de outubro de 2017

    Criminosos contratam advogados caríssimos e contam com a lentidão da Justiça para ficarem soltos


    A Operação Lava Jato é um ponto fora da curva. Pela primeira vez na história do País, autoridades e empresários poderosos foram parar atrás das grades por crimes de corrupção ativa e passiva. Empreiteiros, políticos, diretores da Petrobras não conseguiram fugir da caneta pesada do juiz Sergio Moro. Mas, a bem da verdade, nem mesmo a Lava Jato conseguiu acabar de vez com uma marca registrada do País: a impunidade. Com quatro instâncias de julgamento, pletora de recursos, lentidão do Judiciário, tudo colabora para que se escape das penas da lei. Não faltam exemplos de gente condenada, mas que está livre, leve e solta.
    CANETA PESADA Moro já condenou a maioria deles, mas réus importantes conseguem a liberdade nos tribunais (Crédito:Eduardo Anizelli/Folhapress)
    O ex-ministro José Dirceu, que já deveria ter voltado para a cadeia, goza de plena liberdade em Brasília e nos fins de semana vai à festas e shows até mesmo com a camisa do Corinthians. Dirceu já foi condenado em segunda instância, o que obriga a execução da pena, conforme entendimento recente do Supremo Tribunal Federal. Mas a possibilidade de embargos de declaração retarda sua volta para a prisão. Não há prazo para o caso retornar às mãos do juiz Sérgio Moro para que ele expeça novo mandado de prisão contra Dirceu. Vale lembrar que o ex-ministro é reincidente: condenado no Mensalão em 2012, voltou a ser punido na Lava Jato. Não bastasse isso, diz o Ministério Público, Dirceu recebeu propinas mesmo depois do julgamento do Mensalão. Não se emenda.
    BENEFÍCIOS
    A advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e condenada a 18 anos de prisão, usufrui do regime de prisão domiciliar, que ela cumpre em seu luxuoso apartamento no Leblon. Ela conseguiu o benefício para cuidar dos filhos, de 11 e 14 anos. A lei permite a prisão domiciliar a mulheres grávidas e/ou que tenham filhos de até 12 anos. Na prática, a realidade é outra. O caso de Adriana é uma exceção, um privilégio, graças à condição financeira e ao status da ex-primeira-dama do Rio. Segundo dados do Infopen, o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, das 37 mil mulheres presas no País, pelo menos 80% são mães. Por que apenas Adriana Ancelmo conseguiu o direito de ir para casa cuidar dos filhos? É mais um caso da diferença na aplicação da lei entre os ricos e os pobres. Coisa que bons advogados resolvem nos tribunais.
    O empresário Eike Batista, que já foi o homem mais rico do país, acusado de envolvimento no esquema de corrupção de Sérgio Cabral, passou menos de quatro meses na cadeia. Foram no mínimo US$ 16,5 milhões em propinas pagas por Eike a Cabral. Hoje, em prisão domiciliar, o empresário mora numa mansão na capital fluminense. Na imensa sala, Eike ostenta carrões que valem milhões. Situação mais peculiar vive a jornalista Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Cláudia foi beneficiada pela corrupção praticada pelo marido, mas foi inocentada por falta de provas, apesar de ostentar na internet fotos fazendo compras milionárias no exterior. Leva vida boa em sua mansão no Rio.

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