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    terça-feira, 19 de dezembro de 2017

    Ano de 2017 teve 65 jornalistas assassinados no mundo

    (Novembro) Jornalistas salvadorenhos protestam contra a violência e pedem Justiça após o assassinato de Samuel Rivas, em San Salvador
    (Novembro) Jornalistas salvadorenhos protestam contra a violência e pedem Justiça após o assassinato de Samuel Rivas, em San Salvador (AFP/Arquivos)
    Sessenta e cinco jornalistas morreram no mundo em 2017, incluindo 50 profissionais, sete "jornalistas cidadãos" (blogueiros) e oito "colaboradores de meios de comunicação", informa o balanço anual da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF).
    O ano de 2017 foi o menos violento dos últimos 14 para os jornalistas profissionais no mundo, mas o número de vítimas permanece elevado.
    O balanço é explicado, segundo a RSF, pela menor presença de jornalistas nos países perigosos ou pela melhor proteção dos repórteres.
    Dos 65 mortos entre profissionais e não profissionais em 2017, 39 foram assassinados ou alvos explícitos, enquanto 26 perderam a vida no exercício de suas funções.
    Como no ano passado, a Síria foi o país mais perigoso, com 12 jornalistas mortos, à frente do México (11, contra nove e 2016), Afeganistão (9), Iraque (8) e Filipinas (4).
    A redução do número de mortes (-18% na comparação com 2016) é resultado, segundo a RSF, da "crescente tomada de consciência sobre a necessidade de maior proteção aos jornalistas e à multiplicação de campanhas neste sentido por parte das organizações internacionais e dos próprios meios de comunicação", além do fato de que os profissionais abandonam os países muito perigosos.
    "Este é o caso da Síria, Iraque, Iêmen, Líbia, onde assistimos a uma hemorragia da profissão", critica a RSF.
    México, país sem guerra mais perigoso
    Apesar dos conflitos armados que ameaçam a vida dos jornalistas que cobrem as guerras, em países como o México "cartéis e políticos locais fazem reinar o terror", o que obriga muitos jornalistas a "deixar seu país ou sua profissão".
    "O México é o país em paz mais perigoso no mundo para os repórteres", indica a RSF.
    Neste país com grandes cartéis da droga, os jornalistas que investigam a corrupção dos políticos ou o crime organizado são perseguidos "quase sistematicamente, ameaçados e inclusive executados a sangue frio". Este foi o caso de Javier Valdez, de 50 anos e colaborador da AFP e de outros veículos, assassinado em 15 de maio em Culiacán.
    Devastada por um conflito sem fim, a Síria é o país mais violento para os jornalistas desde 2012.
    "No campo de batalha, o perigo está em todas as partes e os repórteres, sejam profissionais ou não, estão permanentemente expostos aos tiros de franco-atiradores, aos mísseis ou à explosão de um artefato artesanal ou de um homem-bomba", recorda a RSF.
    A ONG destaca que os profissionais locais são os mais expostos após a forte redução da presença de repórteres estrangeiros no país.
    10 mulheres jornalistas assassinadas
    Em 2017, 58 jornalistas morreram em seu país de origem e sete no exterior.
    A ONG com sede em Paris informa que 10 mulheres morreram este ano, o dobro do registrado em 2016.
    "A maioria delas tinha em comum o jornalismo de investigação. Eram experientes e combativas", destaca a RSF, que cita o assassinato com carro-bomba da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia em 16 de outubro em seu país, assim como o de Miroslava Breach em 23 de março no estado mexicano de Chihuahua.
    Detidos
    A RSF contabilizou ainda 326 jornalistas detidos no mundo, incluindo 202 profissionais, 107 blogueiros e 17 colaboradores.
    Apesar da tendência geral de baixa, alguns países se destacaram com um número elevado de jornalistas detidos em 2017. Este é o caso do Marrocos, onde um profissional, quatro blogueiros e três colaboradores foram presos após a cobertura da revolta popular que agita a região de Rif desde o fim de 2016.
    Na Rússia, cinco jornalistas e um blogueiro estão detidos atualmente.
    A China tem o recorde de repórteres na prisão com 52, à frente da Turquia (43), Síria (24), Irã (23) e Vietnã (19).
    Atualmente, segundo a RSF, 54 jornalistas, incluindo 44 profissionais, são mantidos como reféns por grupos armados como o Estado Islâmico, que tem 22 repórteres sequestrados.

    AFP

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