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CNBB condena 'barganha de emendas' para barrar denúncia

Manifestações das mais diversas, e ridículas, foram vistas a favor de Temer na Câmara; CNBB condena atitude do presidente e parlamentares.
Manifestações das mais diversas, e ridículas, foram vistas a favor de Temer na Câmara; CNBB condena atitude do presidente e parlamentares. (Agência Brasil)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota dois dias depois da sessão da Câmara dos Deputados que impediu a investigação do presidente Michel Temer por obstrução à Justiça, na qual condena a "barganha na liberação de emendas parlamentares pelo governo" e faz um alerta sobre a situação social e política do País. De acordo com a CNBB, existe um divórcio entre a classe política e a sociedade brasileira.
"A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo governo é uma afronta aos brasileiros (…). O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave", disse CNBB na nota.
O jornal O Estado de S. Paulo revelou na última quarta-feira que o custo das medidas e concessões feitas a parlamentares para barrar as duas denúncias contra Temer pode chegar a R$ 32 bilhões.
De acordo com a CNBB, as práticas políticas causam apatia e descaso pela democracia na população em geral e até nos movimentos sociais, tradicionalmente mais engajados. O cenário, dizem os bispos, propicia o surgimento de salvadores da pátria, "radicalismo e fundamentalismos" e coloca em risco a democracia.
"Tais práticas ferem a política e a esperança dos cidadãos que parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto. É grave tirar a esperança de um povo. Urge ficar atentos, pois, situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País", disse a CNBB no texto.
Os bispos afirmam ainda que só a reação do povo é capaz de "purificar a política". A nota incentiva que a população se manifeste de forma pacífica contra a retirada de direitos.

Agência Estado