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Bispo leal a Roma detido na China por recusar concelebrar com excomungado

Bispo Vincent Guo Xijin, detido e depois libertado na China.
Bispo Vincent Guo Xijin, detido e depois libertado na China. (AsiaNews)
Um bispo leal a Roma foi detido durante 24 horas na China por se ter recusado a concelebrar missa com outro bispo que se encontra excomungado pelo Vaticano.
Vincent Guo Xijin foi detido na tarde de 26 de março para evitar que celebrasse uma missa crismal antecipada com os fiéis da Igreja clandestina, como é conhecida a Igreja Católica leal a Roma, que recusa estar sujeita aos ditames de Pequim.
A vontade do Governo era de que concelebrasse com Zhan Silu, o bispo “oficial”, isto é, reconhecido pelo Governo, da diocese de Mindong. Zhan Silu foi ordenado bispo sem autorização do Vaticano e é um de sete bispos “oficiais” que se encontra excomungado pela Santa Sé.
Xijin foi entretanto libertado, mas o Governo proibiu-o de celebrar missa crismal como bispo, uma vez que não o reconhece como tal.
A notícia surge numa altura em que se fala da possibilidade de o Vaticano e da China chegarem a um acordo histórico que permitiria o reconhecimento mútuo de bispos. A China, que atualmente rejeita que seja Roma a nomear os bispos chineses, reconheceria esse direito ao Vaticano e Roma levantaria a excomunhão aos sete bispos “oficiais” ainda excomungados. O bispo Zhan Silu já peticionou Roma para esse efeito, mas ainda não houve resposta.
Uma das dificuldades que um acordo dessa natureza levantaria seria o facto de em duas dioceses passar a haver dois bispos reconhecidos. Mindong é precisamente um desses casos e segundo os rumores sobre o eventual acordo, o Vaticano pediria ao bispo Xijin para aceitar passar a auxiliar da sua própria diocese, sob as ordens de Zhan Silu. O bispo já disse que assim fará se o Vaticano pedir.
As notícias de um eventual acordo têm causado alguma polêmica, com uma ala mais conservadora a criticar qualquer aproximação ou cedência à China. Embora algumas fontes apontem para uma acordo “iminente”, não há qualquer indicação de um prazo e alguns comentadores com conhecimento da China duvidam sequer que seja exequível.

Rádio Renascença