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Escola proíbe short curto de alunas para não "provocar alunos e professores"

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Alunos e alunas da escola Collegium Sapiens, em São Carlos, no interior de São Paulo, se juntaram para uma manifestação contra a decisão da instituição de banir o uso de short curto para as meninas, alegando que a peça "desvia a atenção dos alunos e professores". O ato ocorreu na última terça-feira (25).
A irmã de uma das alunas, compartilhou uma foto feita durante o protesto, expondo a situação em que as estudantes estão sendo colocadas. "Minha irmã estuda em uma escola onde as meninas não podem usar short acima do joelho e os meninos não tem restrição, nem medidas (...) A postura desta escola só reforça a ideia de que a mulher é culpada pelo assédio e deve ser uma bela, recatada e do lar para que o assédio não aconteça (...) Não é um detalhe. Não é pequeno. É o machismo velado e arraigado que envenena a nossa sociedade", escreveu na legenda da publicação.
Ao site Universa, uma aluna de 17 anos contou que assiste essas intervenções de cunho "machista" desde quando começou a estudar na instituição, em 2016. "Quando entrei na escola, já tinha muita tentativa de diálogo com eles sobre o assunto, mas eles nunca se mostraram abertos para esse assunto em específico. E na última terça-feira, juntamos todas as meninas e meninos e fomos para a escola de short curto", disse ela à Universa, representando o grupo de 160 estudantes que apoiam a manifestação.
A adolescente conta que quando o assunto é levado aos professores, alguns deles, além de reforçarem o discurso de que o short "tira a atenção dos alunos", fazem piadas machistas como resposta à insatisfação das alunas.
"No primeiro dia do protesto, as meninas do terceiro colegial foram conversar com os representantes da escola e eles não se abriram ao diálogo. Se negaram a falar sobre isso e insultaram as garotas. Disseram que nossa roupa não era adequada ao ambiente, que não conseguiríamos um emprego e estávamos tirando a preocupação do vestibular para se preocupar com coisas que não conseguiríamos mudar, como o uso do short. Não é só sobre o conforto das meninas, mas sim uma questão de que a escola está reafirmando a cultura de estupro", comentou ela.
Após a manifestação, a escola decidiu abrir uma reunião para dez alunos a fim de discutir do assunto. O Collegium Sapiens não se manifestou sobre o assunto.