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Professora paulista de 45 anos entra no 6º mês de gestação dos netos gêmeos

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Aos 45 anos, a professora Valdira das Neves vive a expectativa do sexto mês de gestação dos gêmeos Maria Flor e Noah, em Serrana (SP). Ela carrega no ventre os netos, fruto da produção independente do filho, o estudante de enfermagem Marcelo das Neves Júnior, de 24 anos.
O jovem assumiu a homossexualidade aos 18 anos e sempre teve vontade de ser pai. Solteiro e sem vislumbrar um relacionamento amoroso duradouro, encontrou na mãe a chance de realizar o desejo da paternidade e ajudá-la a superar a perda de uma filha recém-nascida.
Há quatro anos, Valdira engravidou espontaneamente. No entanto, aos sete meses de gestação, sofreu complicações e foi necessário fazer uma cirurgia de emergência para tentar salvar Helena. A menina não resistiu, mas a professora manteve viva a vontade de ser mãe novamente.
A família procurou um centro especializado em reprodução humana assistida, em Ribeirão Preto (SP). Durante as várias consultas para entender o processo, Marcelo Júnior manifestou a intenção de ser pai e levou à mãe a ideia da “barriga solidária”, conhecida anteriormente como “barriga de aluguel”.
No Brasil, uma resolução elaborada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) estabelece que a mulher candidata à barriga solidária deve ter parentesco consanguíneo até o quarto grau com um dos parceiros interessados no processo.
“ERA UM SONHO DESDE QUE ASSUMI MINHA ORIENTAÇÃO SEXUAL. NAQUELA ÉPOCA, ALGUMAS AMIGAS MINHAS SE OFERECERAM PARA SER MINHA BARRIGA DE ALUGUEL, MAS NUNCA FOI UMA IDEIA CONCRETA. A ÚNICA PESSOA QUE FARIA ISSO POR MIM MESMO É A MINHA MÃE. NA REALIDADE, FOI UM SONHO DELA E, QUANDO SAÍMOS DA CLÍNICA, REALIZAMOS O MEU SONHO”, DIZ O JOVEM.
A professora não hesitou em aceitar a proposta do filho. “Eu aceitei rapidamente, mais do que depressa. Eu disse: estou pronta, vamos fazer. Não me deu medo em hora nenhuma.”
Segundo a médica Camila Teles Vidal de Paula, é muito comum que casais homossexuais busquem a reprodução assistida por meio da barriga solidária. Também é comum encontrar mulheres que optaram pela produção independente, mas o caso de Marcelo Júnior é considerado raro.
“FOI ALGO NOVO ATÉ PARA NÓS. SEGUNDO O NOSSO CONHECIMENTO, É O PRIMEIRO CASO NO BRASIL.”
A médica explica que os espermatozoides de Marcelo Júnior fecundaram óvulos de doadoras anônimas. A legislação não permite que receptor e doador tenham conhecimento um sobre o outro.
Foram três tentativas sem sucesso até que, no início do ano, mãe e filho tiveram uma surpresa durante o ultrassom para saber o resultado da fecundação. Por causa da idade dela, Valdira e Marcelo Júnior já estavam cientes que era a última tentativa. O nascimento de Maria Flor e Noah está previsto para setembro.
(G1)