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Família tenta recusar atendimento de socorrista do Samu: “Ela é negra”




 A socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Laura Cristina Cardoso afirmou que no último dia 12 uma família não queria que ela atendesse um paciente com sequelas de AVC. O caso ocorreu na região central de São Paulo. Laura atua como enfermeira da Unidade de Suporte Intermediário e atendeu a um chamado para socorrer um idoso.

Ela relatou que quando chegou à residência, a esposa do idoso ficou desesperada e gritou: “E agora, filho? Ela é negra! Aí o filho respondeu: ‘Tudo bem, mamãe. Ela está usando luvas’”. Laura resolveu não reagir e disse que só pensava no homem, que precisava ir para um hospital.

“Naquela hora, vendo aquele idoso passando mal, o que eu vou responder para uma pessoa dessa? Também não reagi por causa do meu juramento. O juramento da Enfermagem é proteger a vida desde a concepção até a morte. E eu faço isso. Protejo a vida. Mesmo a vida dos racistas. Qualquer outra atitude poderia colocar a vítima em risco.”
“Então é respirar fundo, trincar os dentes e seguir em frente. Se você está se perguntando por que essas pessoas receberam o melhor tratamento possível, eu respondo: quem elas são não muda quem eu sou”, completou.

Após o ocorrido, Laura realizou uma publicação nas redes sociais na qual dizia: “A vítima foi devidamente atendida pelas mãos negras enluvada”.

Infelizmente, a socorrista informou que já foi agredida verbalmente durante outros atendimentos. “Pedem para a gente entrar pelo elevador de serviço, não tocar nos pacientes. Isso é muito comum.”

Laura Cristina Cardoso não registrou uma notícia-crime sobre o último caso. A Prefeitura de São Paulo informou, por meio de nota, que “lamenta o ocorrido e repudia qualquer caso de discriminação, com cunhos racistas e preconceituosos”.