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Em ano eleitoral, protestos de aliados mais inflação desgastam imagem de Bolsonaro

 Em ano eleitoral, protestos de aliados mais inflação desgastam imagem de Bolsonaro

Reportagem publicada originalmente no Jornal da Metropole 

Recentes movimentações têm indicado o enfraquecimento do apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) por parte da sua própria base eleitoral. Contrariando promessas e acordos, o chefe de Estado, eleito em 2018 com a bandeira da segurança pública e combate à corrupção, tem sido alvo de duras críticas dos departamentos de polícias federais.

A pouco mais de quatro meses para a eleição presidencial de 2022, os trabalhadores das polícias Federal (PF), Rodoviária Federal (PRF) e Penal Federal vêm realizando protestos nacionais, o último ocorrido no dia 12, cobrando a reestruturação das carreiras das corporações, prometida por Bolsonaro em dezembro do ano passado.

Na ocasião, o governo reservou no orçamento da União R$ 1,7 bilhão para a medida, que compensaria a perda salarial das categorias com a reforma da previdência e a PEC Emergencial. No final de abril deste ano, porém, foi anunciado um aumento linear de 5% para todas as carreiras federais, o que inviabiliza a promessa feita pelo presidente aos policiais.

“Estava tudo certo, o presidente veio a público dizer que a reestruturação teria que ser feita, fez passeio de moto com a gente, falando com a imprensa sobre isso… mas ele voltou atrás e descumpriu. A polícia não vai deixar isso acontecer, ele tem que cumprir a palavra dele. Quem acredita em um presidente que não tem palavra?”, declarou o presidente da Associação dos Delegados de Polícia Federal na Bahia (ADPF-BA), Wal Goulart.

A insatisfação também é da presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários do Estado da Bahia (SINPRF/BA), Martha Maria dos Santos. “Está sendo muito difícil porque o tempo todo a gente confiou nele [Bolsonaro]. Ele nos fez essas promessas, mas foi só para se promover. Até a esposa dele vestiu a nossa farda para mostrar apoio”, lamenta.

Um ato da PRF espera reunir mais de três mil profissionais da classe de todo o país no próximo 1º de julho em Brasília, sendo cerca de 200 da Bahia.

Entre os caminhoneiros, grupo que teve uma forte participação na sustentação da candidatura de Bolsonaro, também encontram-se tensões. Com a alta frequente do preço do óleo diesel, que teve o seu último aumento de 8,87% nas refinarias anunciado no dia 9 deste mês, sindicatos da categoria cogitam uma greve nacional. Nos últimos 12 meses, o diesel já subiu 57%.

A greve, no entanto, não é um caminho viável no momento, na avaliação do presidente da Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac), André Costa. “Não precisa fazer uma paralisação, já estamos parados”, afirma. De acordo com ele, o transporte realizado por caminhoneiros autônomos diminuiu expressivamente, com uma redução de quase 60% em algumas regiões do país, devido à disparada no preço do diesel.

Para evitar mais desgastes com os caminhoneiros, Bolsonaro editou, no dia 17, uma medida provisória que altera o cálculo da tabela de frete. Com a decisão, a revisão dos valores mínimos de referência para o transporte de cargas será revisado quando houver um reajuste igual ou superior a 5% no valor do diesel, em vez de 10%.

 

Implicações

 

O professor da Ufba e cientista político Joviniano Neto acredita que, apesar da insatisfação demonstrada pela base eleitoral de Bolsonaro, a pressão é circunstancial e, por isso, não é possível dizer que terá um impacto real na estratégia política do candidato. Por outro lado, ele vê um claro desgaste do governo federal perante a opinião pública diante destas situações.

“No caso da polícia, Bolsonaro abriu um jogo e se deixou cair em uma armadilha. Isso gera desgaste, mas essa frustração pode ser compensada pelo antipetismo desses grupos e por outras políticas ideológicas que vão na linha de interesse deles”, explica o especialista. Ele acrescenta que, em relação aos caminhoneiros, a nova regra de frete deve evitar uma manifestação e reduzir desgastes com a classe.

Joviano ressalta que o impacto maior nas eleições será referente às questões que afetam diretamente a população no geral, especialmente a classe média. O Brasil registra uma alta da inflação em 12,78% nos últimos 12 meses e a taxa de desemprego tem expectativa de atingir 13,7% em 2022. Além disso, o litro da gasolina já passa dos R$ 8 em 11 estados brasileiros e as passagens aéreas são vendidas a preços 15% maiores.

Os setores estão pressionando, diante da circunstância de um governo que precisa aumentar a popularidade para conseguir se reeleger. Bolsonaro tem aparecido constantemente em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, perdendo para o ex-presidente Lula (PT). A última, divulgada no dia 13, pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), mostra o candidato à reeleição com 32% das intenções de voto, enquanto o petista acumula 44%.