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Caminhoneiro não é burro e sabe fazer conta', diz representante sobre novo auxílio

 Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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FELIPE NUNES (FOLHAPRESS) - A aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que cria um auxílio de R$ 1.000 para caminhoneiros e um benefício para taxistaspromulgada pelo Congresso na quinta-feira (14)divide opiniões de trabalhadores e representantes das duas categorias.Enquanto para alguns a medida ajuda a equilibrar as perdas na receita, para outros ela tem um caráter eleitoreiro e camufla um problema maior: a alta no preço dos combustíveis.

A medida libera o pagamento de cinco parcelas do benefício para caminhoneiros autônomos inscritos até 31 de maio no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). No entanto, a forma de pagamento ainda precisa de regulamentação.Os motoristas de táxi cadastrados até 31 de maio de 2022 terão direito ao benefício após regulamentação da forma de pagamento. Será necessário apresentar o documento de permissão. Segundo nota oficial do Ministério da Cidadania, o vale-taxista será de R$ 200 mensais, mas os ministérios do Trabalho e da Economia não quanto cada taxista receberá.

Wallace Landim, conhecido como Chorão -um dos principais líderes da greve dos caminhoneiros de 2018-, diz que a criação de um voucher é uma medida eleitoreira e uma tentativa antecipada de o presidente Jair Bolsonaro (PL) "comprar votos" da categoria"Mas o caminhoneiro não é burro e sabe fazer conta", diz. O valor de R$ 1.000 é irrisório para o profissional que atua no transporte rodoviário de carga e beneficia apenas motoristas de veículos leves, afirma.

"O que a gente pede para o governo federal é que eles tenham a responsabilidade e a coragem de retirar o PPI [Preço de Paridade de Importação] e que a agência reguladora responsável fiscalize a lei 13.703. Isso sim, ajudaria muito a categoria."

A lei 13.703, sancionada em agosto de 2018, após a greve da categoria que parou o país, institui uma política nacional do Piso Mínimo do Frete.

Caminhoneiro autônomo há 17 anos, Salvador Edmilson Carneiro, 51, diz que a medida não ajuda a categoria e tenta apenas mascarar a disparada no preço do diesel. Morador de Riachão do Jacuípe, região metropolitana de Feira de Santana, na Bahia, ele conta que precisou encostar o caminhão, pois com o litro do diesel a R$ 7,40 não está mais compensando fazer fretes.

"A maioria dos caminhoneiros vai quebrar e dar auxílio não adianta, R$ 1.000 por mês para quem gasta R$ 2.000 por dia só de diesel não resolve."

Caminhoneiro autônomo e diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), Carlos Alberto Litti Dahmer diz que o benefício não resolve o problema dos caminhoneiros e que a medida tem apenas interesses políticos.

"Isso é ridículo, caminhoneiro não precisa de esmola. É preciso resolver o problema do preço do combustível, dando dignidade não só para o caminhoneiro, mas também para o restante da população. Dar R$ 0,30 de redução no preço do diesel significa muito mais do que R$ 1.000 mensais", diz..