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Com dificuldades para estudar, aluna da zona rural de Anguera conquista 960 pontos na redação do Enem

 Karolane santos - estudante tirou nota 960 no Enem 2023

Foto: Arquivo Pessoal

Poucos não foram os desafios enfrentados pela estudante Karolane Santos Barbosa até conquistar uma das maiores notas do país, na avaliação de redação do Exame Nacional do Ensino Médio de 2023. O tempo dedicado para estudar, mesmo diante do cansaço e da falta de recursos lhe rendeu boas médias, além dos 960 pontos na redação; nota essa que será o impulso para viver a realização de adentrar o ensino superior em busca de qualidade de vida. 

Moradora da zona rural, da Fazenda Batalha, cidade de Anguera, a estudante de 19 anos, falou ao Acorda Cidade, como foi o processo de se dedicar aos estudos.

“O lugar onde eu estudava era o quarto do meu tio. Ele trabalha viajando e, todas às vezes que ele não vinha para casa, eu ia para o quarto dele estudar. Porque na minha casa não tinha internet. Tinha na casa da minha mãe, como não moro com minha mãe e moro com minha avó, eu estudava no quarto do meu tio porque a internet lá era bem melhor do que no meu quarto”, explicou.Karolane concluiu o terceiro ano do ensino médio no ano passado, no Colégio Estadual Arthur Vieira de Oliveira. Ela relatou o quanto teve uma rotina de estudos exaustiva para dar conta dos conteúdos extras necessários para a prova do Enem e o que mais impactou. 

“A escola estava puxando um pouco mais do que o Enem puxava. Era muito crucial para mim sentar e estudar da forma que eu deveria. E foi bem complicado, mas a gente conseguiu conciliar. O método de estratégia era chegar em casa, descansar um pouco à tarde e a noite estudar. Eram noites e noites em claro, estudando para tentar dar um futuro melhor aos meus pais”, pontuou.

Com o apoio da família e principalmente da mãe que sempre a incentivou a não desistir, a estudante é o retrato de muitos brasileiros que buscam na educação uma transformação de vida. Desempregada, ela conta que foi difícil se dedicar somente aos estudos.  

“Eu mandava mensagem para ela dizendo: ‘mãe, eu não aguento mais, está sendo difícil para mim. Minha mente não aguenta mais. Não consigo dar descanso à minha mente. Estou estudando muito. Me ajuda. E, sim, tinha apoio dela. Ela me incentivava bastante. Na época, eu estava desempregada, mas antes disso eu já tinha trabalhado e estudava também para o Enem”, ressaltou.Karolane considerou as boas médias no Enem 2023, o que vão permitir que ela viva o sonho de cursar Biomedicina. Para isso, ela pretende entrar na faculdade através do Programa Universidade Para Todos (ProUni) ou utilizar o Fundo de Financiamento Estudantil mediante as notas conquistadas para pagar a faculdade mais próxima. 

“Como aqui na Uefs em Feira de Santana não tem Biomedicina, meus planos são ingressar pelo ProUni ou pelo Fies em outra faculdade. Porque pelo Sisu não tem como para Feira, só para outros lugares como Salvador e Simões Filho”, explicou. 

Com a implementação do Enem , a interiorização de universidades públicas no país e os programas citados pela jovem, estudantes da escola pública, negros, quilombolas e indígenas, principalmente aqueles das classes mais baixas, tem conquistado um espaço no ensino superior, colaborando assim, com a transfiguração de algumas desigualdades sociais seculares. acorda cidade