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    segunda-feira, 6 de março de 2017

    Médicos são presos em ação da PF por cobrança ilegal de partos no SUS


    Médico faz cobrança ilegal de procedimento ilegal em vídeo gravado pela PF (Foto: Reprodução/PF)
    A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (6) uma operação contra a cobrança indevida de partos que deveriam ser cobertos de forma integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em um esquema que durava 13 anos e que teria movimentado R$ 1,6 milhão. Dois médicos foram presos preventivamente na cidade Itaqui, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
    Conforme a PF, durante as investigações, dezenas de mulheres relataram que tiveram de pagar dois médicos obstetras e um anestesista pelo parto de cesárea no Hospital São Patrício. O caso foi descoberto em 2014 a partir de uma denúncia feita por um médico que fazia residência no local.
    Uma das pacientes gravou, com ajuda da Polícia Federal, o momento em que um médico cobrava pela cirurgia: “se vai querer fazer cesárea com ligamento, aí eu vou te cobrar R$ 1,8 mil”, afirma na gravação um dos dois médicos presos na operação deflagrada nesta segunda.
    Conforme a PF, os valores de R$ 400 a R$ 1,8 mil eram embolsados pelos médicos, apesar da internação ser feita por meio do SUS, conforme comprova documentação apresentada pelo hospital.
    Quem não conseguia o dinheiro, conforme a PF, aguardava pelo parto natural. Pacientes relataram que ficaram vários dias em em trabalho de parto, enquanto os médicos se negavam a fazer a cirurgia sem pagamento, o que teria provocado sequelas e até uma morte entre as crianças.
    “Aquelas pacientes que não tinham como pagar pelo procedimento, era aguardado entrar em trabalho de parto, e mesmo em sofrimento, mesmo muitos dias de trabalho de parto, se elas não tinham condições e dinheiro para pagar o médico, não era realizada a cesárea. Os médicos se negavam a realizar. Mulheres sofreram muitos dias e teve caso identificados de recém-nascidos que faleceram, ou que tiveram sequelas graves por terem permanecido muito tempo dentro do útero”, afirma a delegada responsável pela investigação, Ana Gabriela Becker Gomes.
    Ainda conforme a investigação, os pacientes tinham que pagar por outros procedimentos realizados pelo SUS, como cauterizações, aplicação de injeções e outras cirurgias.

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